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domingo, setembro 12, 2010

Quando começamos a envelhecer

O envelhecimento começa ao nascer, mas é a partir dos 60 anos que as pessoas ganham o status de velho. O marco, estabelecido pela Organização Mundial de Saúde, serve de parâmetro para pesquisas e estudos que monitoram as transformações da sociedade. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia em Pernambuco, Alexandre Mattos, estudos científicos comprovam que quem se mantém ativo na terceira idade tem uma longevidade maior e com menos doenças. “Segundo as pesquisas, o envelhecimento bem-sucedido está baseado em um tripé: atividade social, financeira e afetiva e amorosa”, afirma.

Para algumas pessoas, ser considerado idoso soa estranho, incômodo. E esse rótulo pode parecer inadequado, também, para quem olha de fora. Tudo depende da maneira como a pessoa se coloca na vida. É isso que faz a gente achar que a idade de alguém, às vezes, é só um detalhe.
À primeira vista, é esquisito associar a imagem do cantor Caetano Veloso a alguém que já chegou à terceira idade. Mas, entre outras qualidades, é isso que ele é - um idoso, prestes a completar 70 anos. A atriz Fernanda Montenegro e a apresentadora Hebe Camargo já estão na casa dos 80, O cultuado e controvertido teatrólogo Zé Celso Martinez tem 73. Não é raro encontrar personalidades que alcançaram a maturidade e permanecem atuantes nos negócios, nas artes, na política e nos esportes.
O mesmo acontece com personagens anônimos, que continuam a produzir e criar, na vida profissional e pessoal. O jornalista Claudio Viana é um exemplo de vitalidade e mente ativa, associadas a uma boa administração dos limites físicos impostos pela idade. Além das atividades à frente de um escritório de comunicação com uma equipe de nove colaboradores, ele integra um grupo de discussão sobre comportamento de consumo, inovação e tendências, organizado pela Natura, com consumidores de todas as idades, considerados estratégicos.
O avanço do conhecimento e o acesso à informação colaboram para subverter a ótica do senso comum sobre a chegada à idade madura e seus efeitos sobre o emocional das pessoas. Mas a mudança interior é a maior responsável pela construção de uma nova terceira idade.
Claudio Viana reforça o discurso sobre a importância dessa mudança de postura e atitude, que ocorre de dentro pra fora: “Antes, eu achava que a idade era um limitador, mas, com o tempo, fui ficando indiferente a isso. Cada vez mais acredito que é possível viver várias juventudes ao longo da vida, mas é preciso estar atento para percebê-las. Se não, elas escapam. Uma das coisas que mais blindam a nossa visão para essas várias juventudes é o medo do ridículo”, afirma.
Sobre o receio do julgamento alheio, a psicóloga e gerontóloga Suelena Torres, afirma que, sociologicamente, o envelhecimento ainda é muito pautado por impedimentos culturais e mandos sociais, como, por exemplo, as máximas de que idoso não pode usar roupa muito colorida, andar de bicicleta ou dançar ritmos considerados jovens.
Na opinião de Suelena, professora da Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o idoso pode desempenhar as mesmas atividades de uma pessoa mais jovem, respeitando as limitações de cada um. “É preciso trabalhar a autoconfiança e a autoestima. As pessoas devem contestar os próprios limites e não repetir padrões de autocensura ao longo da vida”, sugere.
A IDADE REAL De acordo com a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2008, no Brasil, existem cerca de 21 milhões de pessoas com idade a partir de 60 anos. Esse universo é subdividido entre dois grupos: os idosos jovens, de 60 a 79 anos, e os muito idosos, a partir dos 80 anos.
A população está envelhecendo e o Brasil não é mais um país de jovens. Segundo Suelena Torres, até as famigeradas crises de idade, que antes aconteciam aos 30, 40 anos, hoje ocorrem aos 50. “A verdadeira crise, hoje, pertence aos jovens, que ainda precisam definir o que querem da vida”, diz.
Nossa população vive mais, mas ainda carregamos uma forte herança simbólica em relação ao caráter pejorativo do envelhecimento. Isso se revela em situações cotidianas como, por exemplo, na maneira de definir ou apresentar alguém como pessoa de idade, ou no comportamento dos próprios idosos. “A maior parte deles ainda se recolhe, se isola. O trabalho é uma maneira de se manter ativo socialmente. O fator ocupação é tão importante que algumas pessoas se negam a revelar que são aposentadas, com receio de serem vistas como alguém que não faz nada”, afirma Suelena.
Para a pesquisadora, a idade é uma espécie de rótulo ou máscara social. “É uma medida cronológica, um parâmetro de controle que pode ditar o que é ou não permitido para uma determinada faixa etária”, explica. Por esse motivo, a própria Suelena mudou de opinião em relação à opção individual de revelar ou omitir a idade. “A idade também pode ser usada como ferramenta de exclusão discriminatória, de status ou de manipulação, e isso determina a forma como você é olhado pelos outros”, afirma ela, que atualmente prefere não dizer quantos anos tem.
“Idade é a experiência do tempo do que somos a cada momento.” A afirmação é do professor do Departamento de Filosofia da UFPE, Jesus Vazquez. Segundo ele, com a idade, nos damos conta do nosso caráter efêmero. E, desde cedo, temos conhecimento de nossa temporalidade finita. “É esse caráter de finitude – que tanto nos incomoda – que nos faz tão frágeis, independentemente de quantos anos temos”, explica.
O que tem se tornado cada vez mais claro é que a idade de alguém é o resultado de uma equação que soma o tempo cronológico de vida com a idade emocional, mais a imagem que a pessoa passa (quantos anos as pessoas acham que você tem) e a posição que cada um ocupa na sociedade. E aí a autoimagem aparece como variável importante.
O professor de português aposentado Carlos Alberto Dantas, nem de longe, se define como idoso. “Não entro nas filas de idosos porque acho que tenho vigor suficiente para enfrentar o atendimento comum. E, quando as uso, preciso mostrar o documento para comprovar minha idade”, conta, admitindo que tem dificuldade de se reconhecer com os atuais 63 anos.
De todos os temas que permeiam o envelhecimento, o sexo é o mais melindroso. As reações ao tema variam de acordo com a região do País, mas, em geral, o idoso é visto como um ser assexuado. “Com a idade, a pessoa vai perdendo seu valor de mercado. É como se a sensualidade, a atratividade e o potencial erótico estivessem associados à capacidade reprodutiva e, nesse caso, as mulheres perdem mais”, diz Suelena Torres.
Mas, ela afirma que, dependendo da maneira como o assunto é colocado, as pessoas se abrem. “Eu me deparo com homens maduros que desejam ter parceiras da mesma faixa etária, mas, na maioria dos casos, encontram dificuldades para se aproximar. Por isso, muitos acabam buscando parceiras mais jovens, que são mais receptivas”, surpreende.

sábado, setembro 11, 2010


Encolhimento do cérebro

Um estudo britânico sugere que altas doses de vitaminas B podem reduzir pela metade o ritmo do encolhimento do cérebro em pessoas com alguns sinais de Alzheimer.
O encolhimento do cérebro é um dos sintomas da debilidade cognitiva leve que pode ser um dos indicadores iniciais de demência.
Os pesquisadores da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, afirmam que a descoberta pode ser um passo importante na busca por formas de retardar os efeitos do Alzheimer.
De acordo com especialistas, o resultado da pesquisa é importante, mas são necessários mais estudos.
Declínio mental
A pesquisa, publicada na revista especializada Public Library of Science One, avaliou 168 pacientes que sofriam, em algum nível, do declínio mental conhecido como debilidade cognitiva leve.
A condição - marcada por pequenos lapsos de memória e problemas de linguagem - vai além do que é considerado "normal" no processo de envelhecimento e pode ser um indicativo do desenvolvimento de Alzheimer ou outras formas de demência.
Metade dos voluntários recebeu um comprimido diário contendo níveis de ácido fólico, vitamina B6 e B12 acima da dose diária recomendada. A outra metade recebeu um placebo.
Depois de dois anos, os pesquisadores mediram o ritmo de encolhimento do cérebro dos pacientes.
O cérebro de uma pessoa com mais de 60 anos encolhe, em média, a um ritmo de 0,5% ao ano. O cérebro das pessoas que sofrem de debilidade cognitiva leve encolhe a um ritmo duas vezes mais rápido. Nos pacientes de Alzheimer, este ritmo chega a 2,5% ao ano.
A equipe de pesquisadores de Oxford concluiu que, em média, o encolhimento do cérebro dos pacientes que tomaram o complemento vitamínico ocorreu a um ritmo 30% mais lento.
Em alguns casos, este ritmo chegou a ser mais do que 50% mais lento, fazendo com que sua atrofia cerebral fosse equivalente a de uma pessoa sem qualquer debilidade cognitiva.
Protegendo o cérebro
Algumas vitaminas B - ácido fólico, vitamina B6 e B12 - controlam os níveis da substância conhecida com homocisteína no sangue. Altos níveis de homocisteína são associados ao encolhimento mais rápido do cérebro e ao Alzheimer.
Os autores do estudo sugerem que os efeitos da vitamina B sobre os níveis de homocisteína ajudaram a reduzir o ritmo de encolhimento do cérebro.
Segundo o autor do estudo, David Smith, os resultados foram mais significativos do que os cientistas esperavam.
"É um efeito maior do que o previsto", disse ele.
"Essas vitaminas estão fazendo algo pela estrutura do cérebro - estão protegendo-a, e isso é muito importante porque precisamos proteger o cérebro para evitar o Alzheimer."
Smith afirmou, no entanto, que são necessárias mais pesquisas para determinar se as altas doses de vitamina B realmente evitam o desenvolvimento de Alzheimer em pacientes com debilidade cognitiva leve.
As vitaminas B são encontradas normalmente em vários alimentos, inclusive carne, peixe, ovos e verduras.
Especialistas, no entanto, afirmam que ninguém deve sair tomando doses mais altas do que as recomendadas depois deste estudo, já que também há outros riscos para a saúde.

segunda-feira, setembro 06, 2010

29 anos..........79 anos

QUANDO COMEÇAMOS A ENVELHECER?


O envelhecimento começa ao nascer, mas é a partir dos 60 anos que as pessoas ganham o status de velho. O marco, estabelecido pela Organização Mundial de Saúde, serve de parâmetro para pesquisas e estudos que monitoram as transformações da sociedade. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia em Pernambuco, Alexandre Mattos, estudos científicos comprovam que quem se mantém ativo na terceira idade tem uma longevidade maior e com menos doenças. “Segundo as pesquisas, o envelhecimento bem-sucedido está baseado em um tripé: atividade social, financeira e afetiva e amorosa”, afirma.
Para algumas pessoas, ser considerado idoso soa estranho, incômodo. E esse rótulo pode parecer inadequado, também, para quem olha de fora. Tudo depende da maneira como a pessoa se coloca na vida. É isso que faz a gente achar que a idade de alguém, às vezes, é só um detalhe.
À primeira vista, é esquisito associar a imagem do cantor Caetano Veloso a alguém que já chegou à terceira idade. Mas, entre outras qualidades, é isso que ele é - um idoso, prestes a completar 70 anos. A atriz Fernanda Montenegro e a apresentadora Hebe Camargo já estão na casa dos 80, O cultuado e controvertido teatrólogo Zé Celso Martinez tem 73. Não é raro encontrar personalidades que alcançaram a maturidade e permanecem atuantes nos negócios, nas artes, na política e nos esportes.
O mesmo acontece com personagens anônimos, que continuam a produzir e criar, na vida profissional e pessoal. O jornalista Claudio Viana é um exemplo de vitalidade e mente ativa, associadas a uma boa administração dos limites físicos impostos pela idade. Além das atividades à frente de um escritório de comunicação com uma equipe de nove colaboradores, ele integra um grupo de discussão sobre comportamento de consumo, inovação e tendências, organizado pela Natura, com consumidores de todas as idades, considerados estratégicos.
O avanço do conhecimento e o acesso à informação colaboram para subverter a ótica do senso comum sobre a chegada à idade madura e seus efeitos sobre o emocional das pessoas. Mas a mudança interior é a maior responsável pela construção de uma nova terceira idade.
Claudio Viana reforça o discurso sobre a importância dessa mudança de postura e atitude, que ocorre de dentro pra fora: “Antes, eu achava que a idade era um limitador, mas, com o tempo, fui ficando indiferente a isso. Cada vez mais acredito que é possível viver várias juventudes ao longo da vida, mas é preciso estar atento para percebê-las. Se não, elas escapam. Uma das coisas que mais blindam a nossa visão para essas várias juventudes é o medo do ridículo”, afirma.
Sobre o receio do julgamento alheio, a psicóloga e gerontóloga Suelena Torres, afirma que, sociologicamente, o envelhecimento ainda é muito pautado por impedimentos culturais e mandos sociais, como, por exemplo, as máximas de que idoso não pode usar roupa muito colorida, andar de bicicleta ou dançar ritmos considerados jovens.
Na opinião de Suelena, professora da Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o idoso pode desempenhar as mesmas atividades de uma pessoa mais jovem, respeitando as limitações de cada um. “É preciso trabalhar a autoconfiança e a autoestima. As pessoas devem contestar os próprios limites e não repetir padrões de autocensura ao longo da vida”, sugere.
A IDADE REAL De acordo com a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2008, no Brasil, existem cerca de 21 milhões de pessoas com idade a partir de 60 anos. Esse universo é subdividido entre dois grupos: os idosos jovens, de 60 a 79 anos, e os muito idosos, a partir dos 80 anos.
A população está envelhecendo e o Brasil não é mais um país de jovens. Segundo Suelena Torres, até as famigeradas crises de idade, que antes aconteciam aos 30, 40 anos, hoje ocorrem aos 50. “A verdadeira crise, hoje, pertence aos jovens, que ainda precisam definir o que querem da vida”, diz.
Nossa população vive mais, mas ainda carregamos uma forte herança simbólica em relação ao caráter pejorativo do envelhecimento. Isso se revela em situações cotidianas como, por exemplo, na maneira de definir ou apresentar alguém como pessoa de idade, ou no comportamento dos próprios idosos. “A maior parte deles ainda se recolhe, se isola. O trabalho é uma maneira de se manter ativo socialmente. O fator ocupação é tão importante que algumas pessoas se negam a revelar que são aposentadas, com receio de serem vistas como alguém que não faz nada”, afirma Suelena.


Para a pesquisadora, a idade é uma espécie de rótulo ou máscara social. “É uma medida cronológica, um parâmetro de controle que pode ditar o que é ou não permitido para uma determinada faixa etária”, explica. Por esse motivo, a própria Suelena mudou de opinião em relação à opção individual de revelar ou omitir a idade. “A idade também pode ser usada como ferramenta de exclusão discriminatória, de status ou de manipulação, e isso determina a forma como você é olhado pelos outros”, afirma ela, que atualmente prefere não dizer quantos anos tem.
“Idade é a experiência do tempo do que somos a cada momento.” A afirmação é do professor do Departamento de Filosofia da UFPE, Jesus Vazquez. Segundo ele, com a idade, nos damos conta do nosso caráter efêmero. E, desde cedo, temos conhecimento de nossa temporalidade finita. “É esse caráter de finitude – que tanto nos incomoda – que nos faz tão frágeis, independentemente de quantos anos temos”, explica.
O que tem se tornado cada vez mais claro é que a idade de alguém é o resultado de uma equação que soma o tempo cronológico de vida com a idade emocional, mais a imagem que a pessoa passa (quantos anos as pessoas acham que você tem) e a posição que cada um ocupa na sociedade. E aí a autoimagem aparece como variável importante.
O professor de português aposentado Carlos Alberto Dantas, nem de longe, se define como idoso. “Não entro nas filas de idosos porque acho que tenho vigor suficiente para enfrentar o atendimento comum. E, quando as uso, preciso mostrar o documento para comprovar minha idade”, conta, admitindo que tem dificuldade de se reconhecer com os atuais 63 anos.
De todos os temas que permeiam o envelhecimento, o sexo é o mais melindroso. As reações ao tema variam de acordo com a região do País, mas, em geral, o idoso é visto como um ser assexuado. “Com a idade, a pessoa vai perdendo seu valor de mercado. É como se a sensualidade, a atratividade e o potencial erótico estivessem associados à capacidade reprodutiva e, nesse caso, as mulheres perdem mais”, diz Suelena Torres.
Mas, ela afirma que, dependendo da maneira como o assunto é colocado, as pessoas se abrem. “Eu me deparo com homens maduros que desejam ter parceiras da mesma faixa etária, mas, na maioria dos casos, encontram dificuldades para se aproximar. Por isso, muitos acabam buscando parceiras mais jovens, que são mais receptivas”, surpreende.

sábado, setembro 04, 2010


Padrões de sono em idosos sadios

Cochilar um pouco não é sinal de problema de saúde para um idoso, mas se essas sonecas passarem do limite, isso pode ser um indício de que algo não vai bem com seu estado físico ou psicológico. Durante muito tempo, achou-se que a fragmentação do sono de um idoso, ou seja, o "sono picado", era causada pela degeneração das estruturas do cérebro responsáveis pelo controle dos ritmos biológicos, os assim chamados "relógios biológicos". No entanto, a pesquisas, sobre os padrões de sono de idosos saudáveis e ativos, sugere interpretação alternativa.
Foram estudados idosos sadios do Grupo da Terceira Idade do Sesc de Campinas, medindo as ocorrências de sono dia após dia por meio do actígrafo, um aparelho de pulso que registra a atividade motora permitindo inferir as ocorrências de sono. "Nossa dúvida era se esse padrão mais fragmentado era uma característica intrínseca ao avanço da idade ou se estaria associado a algum estado de sofrimento", afirma Menna-Barreto. "Uma das hipóteses a ser verificada era que, se a fragmentação do sono era uma decorrência normal do envelhecimento, então, quanto mais idoso, maior deveria ser a fragmentação". Ele afirma que mais de dois episódios por dia podem ser chamados de "sono fragmentado", independente da duração.
No entanto, o que o grupo pôde constatar foi que a fragmentação do sono não é uma característica intríseca dos idosos, estando provavelmente relacionada a efeitos secundários de doenças características da terceira idade e/ou ao abandono social e falta de motivação em geral. "Dores em geral interferem no sono, superficializando-o ou mesmo inibindo-o. Distúrbios respiratórios são causas freqüentes de problemas no sono", explica. "Em deprimidos freqüentemente são encontradas alterações na arquitetura do sono, ou seja, na sequência de fases mais superficiais e profundas em uma noite de sono".
Quanto ao hábito da sesta afirma-se que não é sinal de desorganização temporal e que não pode ser considerada sono fragmentado. "O que parece ser normal é uma tendência ao sono no início da tarde. Algumas pessoas dormem regularmente a sesta após o almoço, outras não", diz. Na pesquisa, tanto os idosos que cochilavam quanto os que não cochilavam tinham uma vida bastante satisfatória. "Nossos resultados mostram idosos que dormem a sesta e outros que não dormem, até onde sabemos sem relação com a idade mais ou menos avançada", afirma o pesquisador. Alguns podem não sentir necessidade de fazer uma sesta quando jovens, mas podem passar a fazê-la quando não têm mais compromissos.
"No entanto, quando um idoso começa a fragmentar demais o sono ele deve, antes de mais nada, avaliar se isso não é conseqüência de algum estado de sofrimento", alerta Menna-Barreto. "Mas tanto quanto a dor física, a dor da alma também tem efeitos negativos sobre o sono, já que a falta de motivação que acompanha os quadros depressivos pode comprometer a sincronicidade dos relógios biológicos com os ciclos ambientais"
Para o idoso que sofre de sono fragmentado, o pesquisador afirma que já há tratamentos em teste, como mudanças de hábito e exercícios. Recentemente passou-se a utilizar também banhos de luz e uso de hormônios (melatonina, que sinaliza a ocorrência da noite e do dia). "Não há consenso científico sobre esses procedimentos, embora seja geralmente aceito que medidas que promovam regularidade de hábitos sejam acompanhadas de melhorias na qualidade do sono", assegura.